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Juros compostos: quando o seu dinheiro rende sobre o que já rendeu

Resposta direta: Juros compostos são os juros que passam a render juros. Em vez de o rendimento incidir sempre sobre o valor inicial, ele incide sobre o valor inicial mais tudo o que já rendeu antes. É por isso que o dinheiro cresce devagar no começo e acelera com o tempo: guardando R$ 500 por mês a 10% ao ano, você chega a cerca de R$ 1 milhão em 30 anos, tendo depositado R$ 180 mil.

Neste artigo
  1. O que são juros compostos
  2. Juros simples × juros compostos
  3. O tempo é o ingrediente principal
  4. A parte que quase ninguém mostra: imposto e inflação
  5. Por que usamos 10% ao ano nos exemplos
  6. Quando os juros compostos jogam contra você
  7. Por onde começar na prática
  8. Faça a conta com os seus números

Existe uma conta que explica quase tudo em dinheiro: por que quem começa cedo chega longe guardando pouco, e por que uma dívida de cartão de crédito sai do controle em poucos meses. É a mesma conta, nos dois casos. Ela se chama juros compostos, e este guia mostra como ela funciona — inclusive a parte que os vídeos de “fique rico” costumam cortar.

O que são juros compostos

Juros compostos são juros que passam a render juros.

Imagine que você aplicou R$ 1.000 a 10% ao ano. No fim do primeiro ano, rendeu R$ 100 — e agora você tem R$ 1.100. No segundo ano, os 10% não incidem mais sobre R$ 1.000: incidem sobre R$ 1.100. Rendem R$ 110. No terceiro ano, sobre R$ 1.210, rendendo R$ 121.

A taxa não mudou. O que mudou foi a base: ela carrega tudo o que já rendeu antes. Por isso cada ano rende um pouco mais que o anterior, sem você fazer nada.

Uma analogia que ajuda: é uma bola de neve descendo o morro. No começo ela é pequena e parece que nunca vai virar coisa alguma. Mas cada volta que ela dá gruda mais neve, e cada volta seguinte é maior que a anterior — porque a bola está maior. O tempo é o morro.

Juros simples × juros compostos

A diferença parece pequena e é enorme. Nos juros simples, o rendimento é sempre calculado sobre o valor inicial, e o ganho é o mesmo todo ano. Nos compostos, é calculado sobre o saldo atualizado.

Com R$ 1.000 aplicados a 10% ao ano:

Prazo Juros simples Juros compostos
1 ano R$ 1.100 R$ 1.100
5 anos R$ 1.500 R$ 1.610
10 anos R$ 2.000 R$ 2.594
20 anos R$ 3.000 R$ 6.728
30 anos R$ 4.000 R$ 17.449

No primeiro ano os dois empatam. Em trinta anos, o composto entrega mais de quatro vezes o simples. Nada mudou além de onde a taxa é aplicada.

Guarde esse formato de tabela na cabeça, porque ele revela o ponto principal: a diferença não cresce de forma constante, ela dispara no fim. O que faz o dinheiro render não é a taxa sozinha — é a taxa multiplicada pelo tempo.

O tempo é o ingrediente principal

Quase todo mundo acha que o segredo é achar o investimento que rende mais. Na prática, o prazo pesa mais que a taxa.

Guardando R$ 500 por mês a 10% ao ano:

Prazo Você depositou Chega a Só de rendimento
10 anos R$ 60.000 R$ 99.932 R$ 39.932
20 anos R$ 120.000 R$ 359.130 R$ 239.130
30 anos R$ 180.000 R$ 1.031.422 R$ 851.422

Repare no que acontece entre os 20 e os 30 anos. Você depositou R$ 60.000 a mais (o triplo do prazo inicial, não o triplo do dinheiro) e o total quase triplicou. Nos últimos dez anos, o dinheiro que já estava lá trabalhou mais do que qualquer depósito novo.

É por isso que começar cedo com pouco costuma vencer começar tarde com muito. Não é força de vontade nem sorte: é a matemática dando mais voltas de bola de neve.

A parte que quase ninguém mostra: imposto e inflação

Aqui o Grana Honesta se separa das calculadoras que só mostram o número grande. Aquele R$ 1.031.422 dos 30 anos não é o que chega na sua mão.

Primeiro, o imposto. Em aplicações de renda fixa, o Imposto de Renda incide sobre o rendimento, com alíquota regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica, menos você paga. Acima de dois anos, a alíquota é a menor da tabela, 15% (Lei 11.033/2004). Sobre R$ 851.422 de juros, isso são cerca de R$ 128 mil. Sobram aproximadamente R$ 904.000.

Segundo, e mais importante: a inflação. Um milhão daqui a trinta anos não compra o que um milhão compra hoje. Se a inflação seguir no ritmo dos últimos doze meses — o IPCA acumulado até junho de 2026 foi de 4,64% —, aquele R$ 1.031.422 equivale a cerca de R$ 264.000 em dinheiro de hoje. Já descontado o imposto, cerca de R$ 232.000.

Isso torna a coisa ruim? Não. Você depositou R$ 180.000 ao longo de trinta anos e terminou com poder de compra de R$ 232.000 — ou seja, ganhou de verdade, acima da inflação. O que muda é o tamanho da promessa: o número que aparece na tela é de fachada, o número real é bem menor, e mesmo assim vale a pena. Quem esconde essa parte está vendendo alguma coisa.

Uma forma prática de lidar com isso é simular usando o rendimento real (o que sobra acima da inflação) em vez do nominal. Se o CDI está em 14,15% ao ano e a inflação em 4,64%, o real fica perto de 9%. Aí o resultado da simulação já sai em dinheiro de hoje.

Por que usamos 10% ao ano nos exemplos

Não é um número inventado, e também não é uma promessa. O CDI — a taxa que a maior parte da renda fixa acompanha — está em 14,15% ao ano nesta atualização, colado na Selic de 14,25%. Poderíamos usar esse número e mostrar resultados bem mais bonitos.

Não usamos, por um motivo simples: juro alto não dura para sempre. Projetar trinta anos na taxa de hoje seria assumir que o Brasil vai ficar três décadas com juro de dois dígitos, o que nenhuma série histórica sustenta. Usar 10% é uma hipótese conservadora e transparente. Você pode trocar essa taxa por qualquer outra na calculadora e ver o efeito na hora.

Quando os juros compostos jogam contra você

A mesma conta, invertida, é o que faz uma dívida pequena virar impagável.

No cartão de crédito rotativo, o saldo não pago vira base para os juros do mês seguinte. Uma dívida de R$ 1.000 a 15% ao mês não chega a R$ 2.800 em um ano, como daria pela conta simples — chega a cerca de R$ 5.350 em doze meses, porque cada mês cobra juros sobre os juros do mês anterior.

Por isso a regra prática mais rentável do país não é escolher bem um investimento: é sair do rotativo e do cheque especial antes de qualquer outra coisa. Nenhuma aplicação disponível ao investidor comum rende o que essas dívidas cobram. Se esse é o seu caso, a calculadora de sair do vermelho mostra em quanto tempo a dívida acaba e quanto dela é só juros.

Por onde começar na prática

Antes de pensar em trinta anos, três passos que valem para quase todo mundo:

  1. Quite as dívidas caras. Enquanto elas existirem, seus juros compostos estão trabalhando para outra pessoa.
  2. Monte a reserva de emergência. Ela evita que você precise resgatar o investimento de longo prazo no pior momento — e é o resgate no meio do caminho que quebra o efeito da bola de neve. Veja quanto faz sentido guardar na calculadora de reserva de emergência.
  3. Automatize o aporte. O valor importa menos que a constância. R$ 100 por mês por trinta anos chegam a cerca de R$ 206.000 pela mesma conta deste guia.

Depois disso, a mecânica é a que você acabou de ler: aporte, tempo e paciência para atravessar os anos em que parece que nada está acontecendo.

Faça a conta com os seus números

Você entendeu a lógica — agora troque os exemplos pelos seus valores. A calculadora de juros compostos mostra o total, quanto é depósito seu, quanto é rendimento e quanto o imposto leva, com gráfico e tabela ano a ano.

Se quiser ver quanto rende no CDI de hoje, use o simulador de CDI. E se a sua meta tem um número específico, a calculadora do primeiro milhão faz o caminho inverso: diz quanto guardar por mês para chegar lá.

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Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

O que são juros compostos em palavras simples?

São juros que rendem juros. No primeiro mês, o rendimento incide só sobre o que você aplicou. No segundo, incide sobre o que você aplicou mais o rendimento do primeiro mês. E assim por diante. Como a base cresce todo mês, o ganho de cada mês é maior que o do mês anterior, mesmo que a taxa não mude.

Qual a diferença entre juros simples e juros compostos?

Nos juros simples, o rendimento é sempre calculado sobre o valor inicial. Nos compostos, é calculado sobre o saldo atualizado. R$ 1.000 a 10% ao ano viram R$ 4.000 em 30 anos com juros simples e R$ 17.449 com juros compostos. É o mesmo dinheiro, a mesma taxa e o mesmo prazo — muda só a base de cálculo.

Quanto rende R$ 500 por mês em 30 anos?

A 10% ao ano, guardando R$ 500 todo mês, você chega a cerca de R$ 1.031.000 em 30 anos. Desse total, R$ 180.000 é dinheiro que você depositou e o resto é rendimento. Descontado o imposto de renda de 15% sobre os juros, sobram cerca de R$ 904.000.

Juros compostos funcionam contra mim em alguma situação?

Sim, e com a mesma força. Cartão de crédito rotativo e cheque especial usam juros compostos contra você: a dívida do mês passa a render juros no mês seguinte. A conta é idêntica à do investimento, só que o sinal é invertido — por isso uma dívida pequena de cartão vira uma bola de neve tão rápido.

R$ 1 milhão daqui a 30 anos vale R$ 1 milhão hoje?

Não. Se a inflação seguir no ritmo dos últimos 12 meses (4,64%), R$ 1 milhão daqui a 30 anos compra o que hoje se compra com cerca de R$ 264 mil. Continua sendo bem mais do que os R$ 180 mil depositados, mas quem promete que você vai 'ficar milionário' está usando o número de fachada.

Responsabilidade editorial

A redação do Grana Honesta apura cada número em fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, INSS, Caixa e gov.br), mostra a metodologia da conta e cita a data em que a regra foi verificada. Educamos, não aconselhamos. Conteúdo educativo, não é aconselhamento financeiro, trabalhista, contábil ou jurídico — confira sempre a fonte oficial e, se precisar, um profissional. Metodologia · Política editorial.